quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

encaixe

ele nem sabe
o quanto agrada
encaixo na saia
e não saio mais.

por trás da fada 
ela bem cabe
encaixa na barba 
e não sai mais.

quando deitamos,
transamos os cantos,
curvas e luas
desse encanto. 

marginal

com tua ausência
perco quantidades de mim
mas pra quem tem milhagem
nunca é tarde:
envelhecer é bobagem
vivo à margem
do passar do tempo 
adiando o fim.

febre

com a cerva que a gente não abriu
mando a saudade pra Portugal de navio
no fio da febre:
quando se ama
a vida é breve. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

jorge mautner

75 mautners
e 5 bombas atômicas  
ambíguas
uma árvore da vida         
viva
sendo parte de tudo 
um jabuti pra ele é pouco:
dê um violino para o louco.

janela

sendo o céu a tela
e o sono cama
viajo pra ela  
neblino madrugadas
entro pela janela  
transamos sonhos
mas antes do dia, suado de alegria
peço ao vento carona,
volto em calmaria
para minha janela.

automático


já com portas em automático
um temporal pegou nossa viagem
da despedida em aeroporto
ao cancelamento do voo
antecipou o pouso,
 fudeu a fuselagem.
longe do chão e dos outros
perdemos bagagem

fim de jogo

aqui se madruga
uma luz arquibancada
a iluminar traços,
roupas tiradas
glórias da paixão
num maracanã de tesão.