terça-feira, 2 de dezembro de 2008

galo de briga

bicho
num trecho de vida
troco de pluma
a briga dá pena
fora isso
no puleiro em cima
a espora fere
tenho crista de galo
e cisco.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Bee Gees

Eu estava sentando com minha bituca entre os dentes e a resmungar baixinho alguma idéia que servisse para mim mesmo num futuro breve, mas a música que tocava me agradava muito, então não dei muita idéia para as minhas idéias e fiquei curtindo som. Aquele momento sublime dentro do bar fedorento poderia ficar na minha memória por um tempo, um período na detenção, por exemplo. Não sei, mas eu gostava daquela vida.

Trazia três pontos comigo num dente quebrado em uma briga covarde e mal sucedida que acontecera uma noite antes, quando passei vasto tempo sentado no espaço ridículo do posto de saúde pública aguardando atendimento, e lá não havia emergência. Saí dali. Fui beber cerveja em cima do dente infectado de palavrões e sujeira, e o vento do ventilador velho lá do teto do boteco chegava fraco, estava bom. Já no fundo a sinuca estava animada, todo mundo jogava e falava e tragava e bebia com vontade. Tudo com vontade. Eu ali só de barato, marcando tempo e ouvindo sons. Bee Gees.

Dois idiotas bebiam na mesa ao lado, e já falavam a algum tempo alto e destemperadamente. Eu observei aquilo, mas relevei pensando em não arrumar encrenca, pelo menos daquele tipo, que não rende nada. O negócio era ignorar os imbecis e ficar na minha, curtindo som. Tá tudo na mente. Bee Gees. Começaram a falar alto tão alto quanto as torres transmissoras de energia elétrica que se tornou impossível minha postura passiva dentro daquele espaço e daquela proposta. Eu tranqüilo quando cheguei, agora aquecendo os nervos tranqüilamente.

Era assobio ou o frio da morte não sei não ouvi direito, reagi de jeito maneira que acabei com a raça dos dois ali mesmo, deixei esterco moído com melado pelo chão. Quebrei por certo alguns ossos e causei alguns traumatismos interessantes para o legista do Instituto Médico legal, pra ele passar o tempo. Numa das mãos a marca dos socos certeiros que sem dúvida atingiram o eixo daqueles que altos falantes se propunham, logo em fevereiro, quando o calor incendeia a veia que conduz o sangue vermelho. Na outra um terço de reza e amor de passeio, que eu vivo não titubeio.

sábado, 15 de novembro de 2008

um grilo

eu só à janela
um grilo veio de companhia
e ele se balançava verde
quando peguei a folha branca
numa piscadela
pulou da parede e saiu voando
deixando comigo no entanto
uma calmaria franca.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

poeta

esse cara é poeta
não deixa letra sobre letra
quem sabe um dia soletra
uma idéia de veneta
e do silêncio nos liberta

deus-dará na telha
desse poeta de gaveta
cutucando redondilhas
numA4 com caneta

ou escreverá ninharia
um muxoxo perdido
o olhar carcomido
é sua real poesia.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

comentário

atendendo a pedidos
deixe um comentário
é que tenho medo do não:
primeiro ele me assusta,
depois me faz leão.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

carne de adão

cópia da carne de adão
tenho tantos irmãos
que nessa terra do nunca
em transe
se multiplicam.

cópia por água abaixo
matiza, e aos cântaros dilui
cada bom bocado
do indivíduo que fui.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

noturna

estamos aqui a pensar
onde adiante na alma
no lugar certo de estar
se guardam segredos
os sonhos e o velho medo
pra ciência pesquisar
pois no travesseiro se assentam
faíscas e cinzas da noturna
que passou como uma bruma
espiou nosso acordar

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

cartola

pá e bola
tal e coisa
quando escuto cartola
é uma mola de dor sem dó
cheiro de rosa, cor do amor
o vibrato desse homem
lembra o canto da minha avó
de costureiras, lavadeiras
com certeza sem bobeira
num samba de bamba
ao som do batuque
nunca mancaram, ninguém bobeou
o baque vem do atabaque
que marca o sambista
esse senhor
guardando premissas
desconhecidas dos brancos
prantos por amores tantos
espinho e flor.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

dos amigos

tenho dois cigarros
um para cada pulmão
um para cada solidão
dessas do dia-a-dia.

tenho duas azias
uma da comida
outra da vida
dessas que se pratica.

tenho dois amigos
um para o sol
outro para o frio.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A4

uma folha branca
que já foi árvore
me planta
uma palavra
como se fosse fruto
de sua seara
tanta.

sábado, 20 de setembro de 2008

de insônia e cafeína

I

horas noturnas
encontro às escuras
sombras
peças
um desejo de noite.

dorme a nuvem na lua
segue o homem na sua
pálpebras e estrelas sem sono


II

sono leve
sem colchão
o chão é dono de quem deve
um cochilo
espia o dia chegar


III

olhos
fecham
ombros
dobram

e no peito uma folia de reis.
até as seis
pouco falta

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

alado

Providência pelas bordas:
essa fratura exposta
que brota em minhas costas
são asas de estrutura óssea.

Desse jeito me levanto
e enxergo toda a orla
sem bando na revoada
asas que de branco nada
me comandam mesmo tortas.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

trinado

um barulho alado me chamou
eu andava pelas ruas pensando em amor
nas poeiras de manuel de barros
o trinado da ave chocou meus ovos
morei nas coisas do cacaso
e nos vôos do leminski
de modo que pra mim
fica resolvido assim:
todo poeta é um pássaro.

enfim arnaldo as estruturas de aço
com flores os augustos haroldos dos campos
nesse caminho concreto de passos
que faço?

sábado, 13 de setembro de 2008

sem noção

as arestas das costas
as curvas da testa
o prazo das pernas
o mistério das dobras
os segredos dos dentes
a proposta dos pêlos
nos deixa demente:
se vai a noção
do que é indecente.

refugo/recheio

NÃO FAÇO MAIS NADA
SÓ BEBO E CHATEIO
ALUGO MEU TEMPO
ME PERCO EM PASSEIO
DISTRAÍDO NO MEIO
DO REFUGO RECHEIO
QUE ME FALTA

metaforizo

o que quer que me digam, é em português.
o amor foi dito por primeiro em aramaico.
eu esperanto que um dia acerto a pronúncia
eu fitando as línguas das moças
eu cuspindo palavras cultas de forma tosca
boboca da boca de saliva cheia
de linguagem de areia fina que avoa
pelo ar das idéias
pelo brilho dos pontos
pelos advérbios de modo
por ser tão transitivo
um dia metaforizo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

olhado

cães ladram
caravanas encalham
cipós amarram.

mas com a faca de ser você
tudo é cortado.

pro mar com o mau olhado
pra que a vida siga no sim
numa trilha de alecrim.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

3 aranhas

não vivo sozinho
moro com três aranhas
que se engalfinham no teto
sobem lá e tramam encantos
teias das entranhas
para outro inseto.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

cuerpo

quero o backstage
as internas veias
alambrados cabeceiras
as dobras marcas
covas portas
em que dobras a alma
como uma carta de amor
em formato de coração.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

quando

livro
pra quando leito
sol
pra quando vivo
bicho
pra quando grilo
cisco
pra quando vento
rua
pra quando chuva
teto
pra quando velho
pano
pra quando roupa
pouca
e muito por dentro.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

JAPERI DIRETO/CENTRAL DO BRASIL

Apesar de tudo comecei bem no negócio. Ando entre os passageiros numa boa, pedindo licença e anunciando meus produtos aos berros, pra geral me ouvir. O equilíbrio vem dos ensaios das escolas de samba, que não perco de jeito maneira. Na luta sou eu e mais dezenas de outros ambulantes, vendendo até a mãe a um real, e eu lá com meu produto da melhor qualidade, porque de mané tenho nada não. Eu sou é comerciante, empresário, escolhe aí, pra mim tá tudo certo. Fiz o segundo grau e tudo, sou burro não, mas sabe como é... Hoje o bagulho de onde eu tiro minha comida é da bala de maçã, de tamarindo, de café, de erva-cidreira, de amendoim, de menta, de iogurte, de maracujá, de melancia, do escambau. Sigo na minha entre os sanfoneiros, cegos, crentes, mendigos, malucos e malandros de merda que também circulam pela área de trabalho, o trem.

O esquema é acordar de madrugada e pegar os passageiros da manhã que vão de Japeri, Santa Cruz, Campo Grande, tudo pra Central do Brasil. O Japeri direto é que tem esquema. A dez centavos um saquinho com cinco balas vende fácil. Sem contar que pela manhã o povo sai de casa com um bafo dos infernos. É cachaça, cigarro, estômago, sujeira. Mas tem gente limpa também. E todo mundo grudadinho um no outro. Antes disso é claro que a mercadoria já tem de estar no esquema, pronta pra vender. No meu caso é comprar as balas um dia antes nas distribuidoras de doce - eu compro na loja de Pilares, já ganhei até boné e camisa de marca de bala - ensacar direitinho e prender no meu gancho, ao alcance da mão do passageiro sentado e do de pé. Na cintura minha pochete com as moedas, e é muita moeda mesmo. Fico feliz de ouvir o barulho delas.

Nas estações convém não dar mole para os seguranças, é proibido vender qualquer coisa no trem. Carrego uma sacola grande de plástico preto, de lixo, quando vejo ou sou avisado dos guardas guardo minha mercadoria na sacola. Alguns camelôs ajudam avisando, outros não. O negócio é que camelô é reconhecido em tudo que é lugar. Eu mesmo fui passar uns tempos na casa de uma meia-irmã em Petrópolis e num boteco o cara falou:

- Aí, tu não é camelô do Japeri?!

Eu falei que sim, sou eu mesmo. O cara sorriu um sorriso sem dente pra mim, eu sorri um sorriso de dente podre pra ele. É brabo. Eu sou é comerciante, empresário, mas escolhe aí, que pra mim tá tudo certo. Aliás essa irmã é por parte de pai só, que saiu da serra pra morar em uma favela aqui de baixo e acabou conhecendo minha mãe na Portela, em Madureira, onde me fabricaram.

Mas tá tudo certo, que a vida não é ruim não. A vida deve ser ruim pra quem não vive a vida. O neguinho aqui tá na briga, de estação em estação.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Lápide 1 - epitáfio para o corpo*

Aqui jaz um grande poeta
Nada deixou escrito.
Esse silêncio, acredito
são suas obras completas.

*Leminski, La vie em close

Lápide 2 - epitáfio para a alma*

aqui jaz um artista
mestre em desastres

viver
com a intesidade da arte
levou-o ao infarte

deus tenha pena
dos seus disfarces

*Paulo Leminski, La vie en close

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

bola de gude

nuvem branca no dia
jóia brilhante na noite
moro numa bola de gude
deixa eu dar meu palpite:
que hoje se acenda forte
um grande amor amiúde
parido no cerne da sorte
e a todos - em muitos - ajude.

verso inteiro

um verso inteiro
jeitoso
perfeito aos olhos

de modo a te invadir
certeiro
bonito
garboso
em cheio os ossos
e o esquerdo do peito.

sem dor nem grilo
estilo no lugar
para chegar
entrar
sair
sem machucar.
um verso estelar

CONCERTO P/ FLAUTA DE CANUDO DE MAMÃO*

Vou cativar um beija-flor.
E sairemos por aí:
ele faz poesias, eu vôo.

* Que me carregue o Quintana, mas Antonio Brasileiro, em Poemas Reunidos (Entre Facas, 1970/1982) . Copiei exatamente a coisa do cara, mas não a família de letras; não sei se é garamond e/ou verdana. Que me perdoem os linotipos, mas eu tô cansado demais.

BRINDE*

Se a mente, que não é nada, mantém-se quieta
e as vozes do remorso não persistem,
eis o momento de desvendar enigmas,
de relembrar caminhos
e de tomar uns chopes com os amigos.
Pois se a mente, que não é nada, está quieta
- os enigmas mais crus, domesticados -
e o passado é um pássaro em nossa mão,
eis que o homem conhece a perfeição.
E como tudo passa tão rapidamente,
é bom brindar essas coisas com amigos.

* Antonio Brasileiro, em Poemas Reunidos (Cantar da Amiga, 1988/1996)

terça-feira, 29 de julho de 2008

sexta

sexta na festa até madrugada
sábado não fiz nada
domingo cismei de sair de mim
com asas
e virei poeira no vento
sucedi nuvens e beijos
desagüei em gotas grossas
hoje no fundo do rio
sou parte seixo
parte memória.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

bonita

todo poeta deve a uma brisa
você apareceu imprecisa
mas batucou o verso
um libelo concreto nasceu
ele é teu e meu
pra ser cantado aos quatro ventos
um texto imediato
pintou em nosso coreto
e me vestiu como blusa
no tamanho da minha musa.

terça-feira, 22 de julho de 2008

quizomba!*

quizomba
bloco bomba
tudo de bom
de sim
do som
e mais
bamba e samba
faz bem a nós e aos demais

que venha o ritmo
pode ser funk, marchinha e até jazz
na boa, não sou velho na roda
mas é rocha
abala, entorta
quem entra não arreda pé
nunca desiste da onda
que é grande, sagaz
bate forte na corda
no groove dos surdos
marcando chocalhos
fazendo a bossa do agogô
virar um doce nagô

enfim
salve o repique, a caixa e o tamborim
viola, cavaquinho também

sem falar nos metais e vocais
o quizomba neném
é do bem e tem gás:
quem escuta
não esquece jamais.


* Quizomba na África é dança, festa, alegria. No Rio de Janeiro é um bloco com coração no Circo Voador, do qual - orgulhoso, rs - faço parte. Para mais: www.quizomba.com.br

topo

melhor que não tentar, se possível
é pagar pra ver o invisível
dar à cara
tapa
pro café pequeno
troco
tempestade n’água
copo
tentar?
eu topo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

afeiçoou o rouxinol

afeiçoou o rouxinol
música nova no quintal
criou goteiras de roseiras
muitas gramíneas dançarinas
moviam-se em torno do vento
iluminando cachoeiras
e uma fogueira de ventosas
acordou todos os matos
desagüou todas as rosas
sonadas de fotossíntese
sonatas de insetos
preguiços em tanta relva
tanta flora e algo árvore
que lanhadas de seiva
na língua córrega geminam
tonalidades viva terra

arremates sempre verdes.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

curtis

pra mim phoda é curtis mayfield
que no falsete mandada à vera
no macio do arranjo
aquela voz de anjo
é quase como ella
depois de tanta proeza
toma um holofote na cabeça
e fica sem andar pra não mais.
meus ais em prol do curtis
que andou não mais.
mas a voz, como ressoa
impecável maré mansa
de quem sabe o que faz.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

rito de passagem

me conte um rito teu
te conto um segredo meu:
a passagem do que é ruim serve
de repente, podes crer
como anúncio do amanhã, que ferve
pra acontecer.

terça-feira, 1 de julho de 2008

lua

a lua nunca pensou em terminar com a terra
ela cumpre promessa de enamorada das estrelas
gira nua em torno do globo azul esfera
dos humanos que brilham de dia
a lua sorria quando eu era criança
nunca vi São Jorge nela
mas juro que a louca dança na primavera
a musa não espera quem prefere o dia
com ele tem muita liga e reza
o dia também não espera comitiva.
a lua brilha pra acordar o homem
e o homem esquece dela.

alma intacta

acalma essa fala pessoa
apaga deixa de luz
a palavra, arma guardada
aguarda e ressoa intacta
sem número alvos.

melhor agora que antes
já que a ordem palavra
é manter a salvo a alma.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

escriba

Essa coisa de escrever bate assim por vezes uma idéia chinfrim vira um pio genial e eu que envolvido com a poesia desse jeito danço no meio das letras em busca de um palíndromo perfeito e em fuga dos gerúndios fico e paro tropeço em alguns erros que são naturais de acontecer num estado catatônico como esse que eleva a pressão arterial e é um barato total mesmo como dizia a gal obviamente em outro contexto calculado para uma parcela de tempo que prevalece enquanto jóia bonita em nossos cristais.

Esqueço o cigarro aceso no cinzeiro porque os dedos coçam de maneira diferenciada e isso acontece como as marés místicas eu lembro de tempos de cigano e sim meu bem gosto de lembrar trecho de música ouvida que dizia que o cara queria mel e o papel principal haja vista que essa qualidade de ganância não recebe afirmação em contrário no caminho. Hoje em dia tenho sido sozinho o que não impede parar quando me deparo com uma idéia genial ou um pio que vale a pena e sento à primeira mesa para fazer anotações em um caderno fuleiro ou guardanapo ou qualquer maldito pedaço de papel amassado pelas madrugadas da guanabara que ao mesmo tempo me protege me assusta mas sigo o caminho do bem anunciado por tim maia por aqui como todo carioca juramentado que não larga o osso nem que a vaca tussa e muito.

Minha recusa em manter as idéias só na minha cabeça advém de uma necessidade imperiosa e de saúde mental tão séria que seria muito melhor que não nos ouvissem falando de tais quebrantos que em outros tempos seriam castigados com fogueira e tortura. Mas são tantos pensamentos impensados que tenho medo de vasos de planta e coisa do tipo já que eles atraem vasos que no papel tornam-se relatos de sustos bem assustados.

Não mereço essa sina e desconheço o que tenha feito para merecer só digo é melhor que as capitanias hereditárias e todos os tipos de droga em oferta no mercado melhor que quadro surrealista em exposição no leito do rio do pensamento que deixa fluir as construções frasais sem importância para com as letras maiúsculas e minúsculas no que eu concordo visto que esse tipo de discriminação com as benditas letras só serve no mundo dos documentos e apensos de toda sorte. Na minha cabeça elas são donas do engenho e eu escravo feliz dessa labuta de escrever pra tentar exorcizar ou entender o que está por aí e por aqui nesse mundão.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

cometa

cometa letras
uma constelação delas
escreva estrelas
na tela negra da noite
num fundo véu de cosmos
libere do eu meteoros
no ocaso do planeta
um eclipse alto, claro
seria o maior astral.

terça-feira, 24 de junho de 2008

saravá sincero

começo aqui um espaço
esmerado trabalho
sem convite pra conhecidos
ah, que venham estranhos
amigos
chegados
os pedantes tirem os sapatos
as meninas o casaco
os altos, falantes
mudos calados
os quadrados de sucesso
bacanas de antes
arruinados antigos
os eternos instantes
quem é bamba
os do samba
os da arte
os de morte
os de fé
aqueles que trocam os pés
pelo próprio umbigo
doravante
a casa é de todos
quero nós
laços
meu braço escreve
dá corda e bate palma
pra tudo que é alma
amantes
sem cor
idade
e o não de antes.

essa mão estende
e espera
a outra parte
distante.