quinta-feira, 26 de junho de 2008

escriba

Essa coisa de escrever bate assim por vezes uma idéia chinfrim vira um pio genial e eu que envolvido com a poesia desse jeito danço no meio das letras em busca de um palíndromo perfeito e em fuga dos gerúndios fico e paro tropeço em alguns erros que são naturais de acontecer num estado catatônico como esse que eleva a pressão arterial e é um barato total mesmo como dizia a gal obviamente em outro contexto calculado para uma parcela de tempo que prevalece enquanto jóia bonita em nossos cristais.

Esqueço o cigarro aceso no cinzeiro porque os dedos coçam de maneira diferenciada e isso acontece como as marés místicas eu lembro de tempos de cigano e sim meu bem gosto de lembrar trecho de música ouvida que dizia que o cara queria mel e o papel principal haja vista que essa qualidade de ganância não recebe afirmação em contrário no caminho. Hoje em dia tenho sido sozinho o que não impede parar quando me deparo com uma idéia genial ou um pio que vale a pena e sento à primeira mesa para fazer anotações em um caderno fuleiro ou guardanapo ou qualquer maldito pedaço de papel amassado pelas madrugadas da guanabara que ao mesmo tempo me protege me assusta mas sigo o caminho do bem anunciado por tim maia por aqui como todo carioca juramentado que não larga o osso nem que a vaca tussa e muito.

Minha recusa em manter as idéias só na minha cabeça advém de uma necessidade imperiosa e de saúde mental tão séria que seria muito melhor que não nos ouvissem falando de tais quebrantos que em outros tempos seriam castigados com fogueira e tortura. Mas são tantos pensamentos impensados que tenho medo de vasos de planta e coisa do tipo já que eles atraem vasos que no papel tornam-se relatos de sustos bem assustados.

Não mereço essa sina e desconheço o que tenha feito para merecer só digo é melhor que as capitanias hereditárias e todos os tipos de droga em oferta no mercado melhor que quadro surrealista em exposição no leito do rio do pensamento que deixa fluir as construções frasais sem importância para com as letras maiúsculas e minúsculas no que eu concordo visto que esse tipo de discriminação com as benditas letras só serve no mundo dos documentos e apensos de toda sorte. Na minha cabeça elas são donas do engenho e eu escravo feliz dessa labuta de escrever pra tentar exorcizar ou entender o que está por aí e por aqui nesse mundão.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

cometa

cometa letras
uma constelação delas
escreva estrelas
na tela negra da noite
num fundo véu de cosmos
libere do eu meteoros
no ocaso do planeta
um eclipse alto, claro
seria o maior astral.

terça-feira, 24 de junho de 2008

saravá sincero

começo aqui um espaço
esmerado trabalho
sem convite pra conhecidos
ah, que venham estranhos
amigos
chegados
os pedantes tirem os sapatos
as meninas o casaco
os altos, falantes
mudos calados
os quadrados de sucesso
bacanas de antes
arruinados antigos
os eternos instantes
quem é bamba
os do samba
os da arte
os de morte
os de fé
aqueles que trocam os pés
pelo próprio umbigo
doravante
a casa é de todos
quero nós
laços
meu braço escreve
dá corda e bate palma
pra tudo que é alma
amantes
sem cor
idade
e o não de antes.

essa mão estende
e espera
a outra parte
distante.