terça-feira, 29 de julho de 2008

sexta

sexta na festa até madrugada
sábado não fiz nada
domingo cismei de sair de mim
com asas
e virei poeira no vento
sucedi nuvens e beijos
desagüei em gotas grossas
hoje no fundo do rio
sou parte seixo
parte memória.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

bonita

todo poeta deve a uma brisa
você apareceu imprecisa
mas batucou o verso
um libelo concreto nasceu
ele é teu e meu
pra ser cantado aos quatro ventos
um texto imediato
pintou em nosso coreto
e me vestiu como blusa
no tamanho da minha musa.

terça-feira, 22 de julho de 2008

quizomba!*

quizomba
bloco bomba
tudo de bom
de sim
do som
e mais
bamba e samba
faz bem a nós e aos demais

que venha o ritmo
pode ser funk, marchinha e até jazz
na boa, não sou velho na roda
mas é rocha
abala, entorta
quem entra não arreda pé
nunca desiste da onda
que é grande, sagaz
bate forte na corda
no groove dos surdos
marcando chocalhos
fazendo a bossa do agogô
virar um doce nagô

enfim
salve o repique, a caixa e o tamborim
viola, cavaquinho também

sem falar nos metais e vocais
o quizomba neném
é do bem e tem gás:
quem escuta
não esquece jamais.


* Quizomba na África é dança, festa, alegria. No Rio de Janeiro é um bloco com coração no Circo Voador, do qual - orgulhoso, rs - faço parte. Para mais: www.quizomba.com.br

topo

melhor que não tentar, se possível
é pagar pra ver o invisível
dar à cara
tapa
pro café pequeno
troco
tempestade n’água
copo
tentar?
eu topo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

afeiçoou o rouxinol

afeiçoou o rouxinol
música nova no quintal
criou goteiras de roseiras
muitas gramíneas dançarinas
moviam-se em torno do vento
iluminando cachoeiras
e uma fogueira de ventosas
acordou todos os matos
desagüou todas as rosas
sonadas de fotossíntese
sonatas de insetos
preguiços em tanta relva
tanta flora e algo árvore
que lanhadas de seiva
na língua córrega geminam
tonalidades viva terra

arremates sempre verdes.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

curtis

pra mim phoda é curtis mayfield
que no falsete mandada à vera
no macio do arranjo
aquela voz de anjo
é quase como ella
depois de tanta proeza
toma um holofote na cabeça
e fica sem andar pra não mais.
meus ais em prol do curtis
que andou não mais.
mas a voz, como ressoa
impecável maré mansa
de quem sabe o que faz.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

rito de passagem

me conte um rito teu
te conto um segredo meu:
a passagem do que é ruim serve
de repente, podes crer
como anúncio do amanhã, que ferve
pra acontecer.

terça-feira, 1 de julho de 2008

lua

a lua nunca pensou em terminar com a terra
ela cumpre promessa de enamorada das estrelas
gira nua em torno do globo azul esfera
dos humanos que brilham de dia
a lua sorria quando eu era criança
nunca vi São Jorge nela
mas juro que a louca dança na primavera
a musa não espera quem prefere o dia
com ele tem muita liga e reza
o dia também não espera comitiva.
a lua brilha pra acordar o homem
e o homem esquece dela.

alma intacta

acalma essa fala pessoa
apaga deixa de luz
a palavra, arma guardada
aguarda e ressoa intacta
sem número alvos.

melhor agora que antes
já que a ordem palavra
é manter a salvo a alma.