sábado, 28 de fevereiro de 2009

sombreiro

esse papo bobo
de quem escreve e diz não, não quero
é puro esmero em sair do baixo clero
do verso nas bocas das ruas, só que ao inverso
ir parar em enciclopédias em couro
ou seletas dos melhores poetas do século.
eu quero o que tiver direito
dinheiro, mulher e sombreiro
palmas e prêmios em ouro
antes que algum tubérculo me engasgue a fala
eu morra duro e mandando tudo às favas
e acabe estampado em camisas modernas da lapa.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

lero-lero

falei tudo na poesia
agora me remorsa a prosa
que cobra ciúmes e elegias
e debocha de versos e trovas

quem diria que um dia
essa mulher gritaria
por conversa dengosa
essa mina manhosa
me cerca por vias
nunca vistas na vida
fica meu lápis na fossa
assim que vai embora
nem beijo-despedida-brecha
ao fechar a porta.

eu que tanto queria
um lero-lero agora.

clave de sol

pega a clave de sol e decola
do nada em prol do ventos
que te beijarão o colo
e num momento
agradeça à Nossa Senhora:
estarás de volta, beijada
ao solo.