sexta-feira, 18 de junho de 2010

sniper

a saudade, quando criança
parecia só mais um desenho
mas agora homem feito
chega numa música do cassiano
pela janela, enche meus olhos de remela
e água
entope o nariz
faz buscar foto
apertar peito,
olhar pro céu.

o quarto arrumado vira escarcéu
a cabeça não pára de tirar fatos
em porta retratos enquadrados
pelo tempo, pelo amor, pela minha idade.
ah!, que saudade.

só a cidade me olha
a lua talvez
mas que de uma vez
essa visita cesse
acabe!
suma da guanabara, suba pra marte
vá embora pela janela
avoar soluços
me trazer uns lenços

até que outra canção
mire de novo
esse triste coração.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

destarte

não posso quebrar cabeça
nem queimar a mufa
minha cuca é uma estufa
com lâmpada acoplada e acesa
que mantém mente presa
à sanidade, à saudade
meu único passaporte
para a tal humanidade.

domingo, 6 de junho de 2010

palíndromo

essa moça agrada tanto
tem nos dedos um encanto
e um nome tão palíndromo
que de unhas escarlate
é perfeito arremate
trejeito com muito jeito
de uma onda que me bate
junto a uma tattoo de fada
que na madrugada tarde
vira manto e divindade
cobrindo todo o meu santo
fechando todo o meu corpo
me deixando à vontade.

no mais é só detalhe:
afinal com essa moça
a alma é o que vale.

mundo verde

nesse mundo verde
uma certeza
tudo é da natureza
mas então socorro!
ela mata
eu morro

sexta-feira, 4 de junho de 2010

biblioteca

vou com folhas na mão
à biblioteca nacional
registrar meu planeta:
jogar a letra
viajar de trombeta
dar um papo nos poetas
que em verdade são putas
proxenetas e lapários
boêmios, freiras ao contrário
melhor se fossem
somente imaginário.
mas não
desço a mão no verso
e até que provem o contrário
isso tem nexo
sexo e tutano
para o gozo humano.