quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

amigo, nego, bicho

quando não dá não dá
bobagem enganar
pior disfarçar
porque a cola não cola

nem vai colar
se não estudou no amor
a recuperação é dura
e vai durar

amigo, nego, bicho
caia dentro da brochura
e da gandaia tire de letra
um papo reto
de faro fino
olhar de menino
já que o prazer no fim
a nota dez no boletim
é pouco pra mim

domingo, 25 de dezembro de 2011

joia

dei um anel a ela
não era nada
nem tinha ouro
pérola cravada

a joia rara
era a vontade gigante
de lhe tirar do chão


um diamante de intenção
deixá-la pinel, de cara
em cada beijo
cheiro
ala
do nosso samba enredo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

sem fim

sexo não aborrece
mas coça
dá sede
estremece a moça
e o coração

reverbera
ecoa
inebria
adormece em vão.

alucina
fagucita
enjoa
e desce ao chão.

engana
fenece
estranha
e cresce são.

sim
parece que é assim
sem fim a missão.

pouco

você que é louco caboclo
quando me dá bom dia

ora, veja eu
chegando em casa,
pilha rasa
reboco

de quem sabe o que é o sufoco
de viver invertendo a brasa
trocando dia e estofo
uma noite é pouco
fico rouco
de tanto querer
reverter essa lógica,
esse troço
esse troco
oco
brasa de nada,
pouco.

fofoca

e quem disse
que consigo dormir
que consigo comer
ver tv

sem você
tá mentindo

não dá pra ser
por inteiro
me vestir
sorrir
lindo, maneiro e tal
em verdade
rola um limbo
abissal.