quarta-feira, 6 de novembro de 2013

partido alto

já meio alto
puxei um partido, no grito
elas desceram do palco
rimando em bando
me atravessando
saí ferido, de terno branco,
bambo:
o surdo tirou a pele do coração,
e sua marcação
descompassou meu apito. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

daiquiri

linda no padrão africano
naquele pedaço de pano
mudou os planos da tribo
quebrou a banca, causou dano

a branca desceu da tamanca
mancando
de um jeito americano
penteado de manteiga de carité
dedé mamata e mais o que vier
de insano

agora que a conheci
fiquei sabendo
o que me torna madrugada e sereno
como um golpe e um gole
daiquiri
martini,
veneno.


seriado

minha rita lee
não saia daqui
dos nossos anos 70
nem pinte o cabelo
ou pinte vai, tenta:
nada é acinte no teu jeito

esse zelo no olhar me deixou parado
brinquei de estátua no sotaque gaúcho
no sorriso agudo
que deixa cantor mudo no palco

vejo que, mesmo travado
quero mais um beijo
como quem vê uma novela, seriado 
e, viciado,
não quer parar.

sábado, 20 de julho de 2013

formol

às vezes chego a achar
que é melhor negar o amor  
pra não ter o que segure  
na hora do pulo, foda-se!, debulhe:
viver sem pódio de chegada ou beijo de namorada

pode ser uma forma de formol.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

chama

Jazz Jah chama
deito nessa cama
e antes que o sono me pegue
me cubro de reggae.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

zé pequeno


então chega junho
com chuvas e datas

na certidão de nascimento
meu nome
na ata da vida
minha lata
no calendário marca exata
do primeiro vento
do primeiro rebento
de três
depois de 39 carnavais
mês a mês, de águas passadas
não quero nada!,
só mais.

agora a barba
é mais branca
a bronca
mais branda
a ideia mais clara
e a fila que anda
me mostra outra cara  
tomara -
outros bares,
lugares e amores!

enfim, segurem-se doutores
é cedo pra tanto
é muito por menos:
nessa de viver a vida
ainda sou zé pequeno.


domingo, 14 de abril de 2013

toda prosa

passou numa alegria,
toda prosa
vestida de rosa
parecia poesia.

terça-feira, 5 de março de 2013

descalço


o barulho dos sapatos
no vazio do espaço
mostra que andar sozinho
é como estar descalço

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

mais amor por favor


mais amor por favor
mais suor
mais torpor
menos pão
e mais vinho
menos grito
e mais hino
menos chão
e mais céu
menos fel
e mais coração. 

da minha mão*


quem disse que preciso do que for
pra compor?
sol, chuva ou calor,
bater tambor
ou uma multidão?

não meu amor
sai tudo da minha mão
não meu amor
sai tudo da minha mão

da estampa do meu vestido
da varinha de condão
da força do meu grito
da saudade do meu irmão
do gosto do meu beijo
do jeito do meu povo
da pele que habito
do quarto, do meu corpo

do cacho do cabelo
do sotaque brasileiro
do meu Rio de Janeiro
debaixo do edredon?

não meu amor
sai tudo da minha mão
não meu amor
sai tudo da minha mão

*Pra Mariana Guedes, que é curitibana, musicar e cantar na Guanabara

vazio

apito de pio,
sono de rio,
frio líquido:
mimo um cio
vazio.