segunda-feira, 18 de agosto de 2014

abecedário

na boca e nos dentes
nos detalhes da saliva
mando pelo ares, viva!
o abecedário.

só falo por fôlegos e sustos

gosto e odor
quem sabe, nesse momento
essa brisa seja amor.  

dengo

sendo sono
seja lento
traga sonho
com meu dengo.

velha guanabara

linda lua rara
nesse frio de mentira
onde a maresia mia
o gato cala 
e arranha arrepio
das ruas e encruzas
melodias crio
embaixo das blusas
sinas no cio
passeio público
em traje fino.

antes amada Guanabara
hoje amigo Rio.

flauta de mamão

meus genes de terra
poças d'água de manhã
olhando Nanã
caem no caule 
do pé de mamão
viram flauta de criança
que segura cigarra na mão
só de arte. 

a bem da verdade
enquanto carne
espero virar tarde. 

pacífico

um amor terminado à beira-mar
assustou o oceano que, 
pacífico na imprecisão,
sem saber se aquilo era onda
ressaca ou ilusão
pagou pra ver:
pediu à areia
a paciência do grão
pra entender.