sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Alfredo e seus discos

A cena musical brasileira tem recebido, nos últimos tempos, talentos que surpreendem pela idade e pela qualidade do trabalho que apresentam. No campo específico da MPB e do samba nem se fala.
Bobagem elencá-los aqui. É possível que você se lembre de algum novo artista que lhe chamou a atenção, seja pelo estilo, pela inovação ou mesmo pela bela figura.
Tem muita gente boa por aí.

Um destes artistas é Alfredo Del Penho. Em entrevista à este jornalista, Del Penho falou sobre o lançamento de seus primeiros dois álbuns, via financiamento coletivo: um deles é Pra Essa Gente Boa, disco instrumental dedicado às pessoas com quem trabalhou, como Paulinho da Viola, Paulão 7 Cordas e Maurício Carrilho, além de participações de Joyce e Zé Renato. O outro é Samba Sujo, disco de intérprete que passeia por partido alto, samba de breque, de terreiro e samba-choro, em composições dele em parceria com Délcio Carvalho e Rodrigo Alzuguir, Pedro Holanda e Rubinho Jacobina. Ele próprio explica melhor aqui: http://benfeitoria.com/alfredodelpenho.

Alfredo Del Penho foi um dos idealizadores do Concurso de Marchinhas da Fundição Progresso, realizado todo ano no Rio de Janeiro, com participações de artistas de todo o Brasil. Além disso, é um grande pesquisador musical, entre outras funções. O Dicionário Ricardo Cravo Albim da Música Popular Brasileira dedica verbete ao trabalho dele: http://www.dicionariompb.com.br/alfredo-del-penho/biografia.

A quantas anda o trabalho de lançamento dos seus discos solo, via financiamento coletivo? 
Há muitos anos tenho vontade de gravar meus discos. Comecei tocando violão, e o choro e a música instrumental sempre foram muito presentes em minha vida. Muitas das músicas que faço são instrumentais, e normalmente faço dedicada a algum amigo com quem toquei, troquei e aprendi. O disco Pra Essa Gente Boa tem músicas dedicadas a Maurício Carrilho, Moacyr Santos, Joana Queiroz, Paulinho da Viola e Paulino Dias, entre outros. E os gêneros são influenciados por eles, seja no choro, na valsa, no ijexá, etc. O disco de samba reúne os diversos subgêneros do samba, como samba choro, partido alto, samba sincopado, etc. E a ideia é fazer um disco gravado com os músicos tocando juntos, depois de ensaios, o que não é muito comum hoje. Em geral os músicos conhecem a música que vão gravar durante a própria sessão de gravação.

Como foi a seleção de material para o álbum de intérprete? Houve algum tipo de linha condutora que amarrou as escolhas?
A diversidade do repertório, o tema variado entre as músicas, as músicas que me sinto bem cantando e o fato de as músicas não serem conhecidas ou não terem muitas regravações são algumas diretrizes da escolha. Tem sambas inéditos meus ou de outros e sambas que serão regravados, mas que não são muito conhecidos.

Como você vê a cena musical hoje em dia, com o advento de novas tecnologias e com a internet como ferramenta de divulgação?
Acho que tem muita gente boa compondo e cantando e que a internet facilita o acesso e a formação de grupos que têm afinidade com um determinado tipo de música. Isso facilita e impulsiona a divulgação.

Você começou sua carreira na música no bar Candongueiro, em Niterói? Me fale um pouco sobre seu início como artista.
Comecei a vida musical nos bares e serestas de Niterói, no Orquídea, no bar Campeão, e era frequentador assíduo do Candongueiro. Depois, fui abraçado pela família Mendes, dos donos do Candongueiro, e tocávamos muito, mas ainda não trabalhava com eles. Era informal. Comecei a trabalhar depois com o grupo Unha de Gato, também em Niterói, e com o Gallotti, no Rio.

Gostaria que falasse um pouco do seu trabalho como pesquisador, diretor, etc.
Esses trabalhos são uma parte grande da minha dedicação hoje. Tenho feito a direção musical de algumas peças, como Deixa Clarear (sobre Clara Nunes) e Desalinho. Também produzi alguns discos, como o Arco do Tempo, de Soraya Ravenle, e O Samba Informal, de Mauro Duarte, de Cristina Buarque, e Samba de Fato. Com a pesquisa, trabalho muito em consultorias pra novelas e espetáculos de teatro musical.

Você foi o diretor musical do espetáculo Ciro Monteiro, realizado nos teatros do Sesi-RJ e do Sesc Pompeia-SP. O que achou da experiência?
A experiência foi ótima, como normalmente são as experiências nos Sesc de todo o Brasil. Já toquei no Sesc São Carlos, Pinheiros, Belenzinho, Vila Mariana, Pompeia, Copacabana, São João de Meriti, na Escola Sesc, enfim, muitas unidades e muitas vezes. Sempre achei uma instituição fundamental na divulgação da arte da gente.

Me fale um pouco de sua relação com o Festival de Marchinhas da Fundição Progresso...
É um trabalho que me dá muita alegria esse ano vamos para o décimo festival e estou presente desde o primeiro. Hoje trabalho como apresentador, cantor e jurado e sempre me divirto muito!

Uma curiosidade: já recebeu algum pedido esquisito em show ou coisa do tipo? 
Acho que o pedido mais esquisito que tive foi pra cantar uma música do Pavarotti na roda de samba. Uma senhora ficou pedindo insistentemente. Infelizmente, não tive como atender!